Domingo, Março 21, 2004
[costuras]
Acho que agora passarei a aproveitar mais os benefícios de ter um blog... podendo escrever o que me vier à cabeça... pois o que quero neste espaço é discutir a minha vida, me fazer entender, poder registrar meus vacilos, interesses, formas de pensar...
Assim, quem sabe, este não se torne um bom exercício para me ver de fora para dentro, de fora para fora, e não apenas de dentro para dentro (se é que isto é possível!!!).
Acho que agora passarei a aproveitar mais os benefícios de ter um blog... podendo escrever o que me vier à cabeça... pois o que quero neste espaço é discutir a minha vida, me fazer entender, poder registrar meus vacilos, interesses, formas de pensar...
Assim, quem sabe, este não se torne um bom exercício para me ver de fora para dentro, de fora para fora, e não apenas de dentro para dentro (se é que isto é possível!!!).
[O ponto de partida de meu EXTREMO interesse numa disciplina eletiva chamada “Filosofia da educação: antropologia pedagógica”]
Antes mesmo de concluir meu curso de graduação (Pedagogia/UFRGS) já planejava pedir permanência no curso (há duas ênfases, Séries iniciais, que foi a que cursei e Educação infantil, que é que estou matriculada agora) para poder cursar, lentamente, as eletivas que sempre quis fazer e nunca conseguia porque já tinha várias obrigatórias para fazer que traziam consigo, conseqüentemente, trabalhos, comentários, leituras, debates, trabalhos em grupo, provas... Esta “montanha” de coisas a serem feitas e mais os envolvimentos com a bolsa de pesquisa, família, namorado, amigos, lazer, e outros projetos que acabam surgindo tornam difícil conciliar as tantas vontades criadas no decorrer do curso e as necessidades advindas de tudo que é lado...
O eixo central desta disciplina são “os diferentes enfoques sobre o ser humano” (tá na súmula da disciplina!). Me interessei porque o meu TCC (trabalho de conclusão de curso) era sobre as diferentes posições de sujeito atribuídas aos sujeitos escolares adultos e, também, as diferentes posições de sujeito que estes sujeitos se atribuem. Posições estas que são aprendidas nas diferentes instâncias sociais que veiculam, dia-a-dia, representações sobre alunos de EJA. Este era um recorte de apenas um dos muitos enfoques sobre o ser humano que poderia ser abordado. O desejo de dar prosseguimento a este trabalho, ou melhor, de ir continuamente, TRANSFORMANDO o meu modo de pensar esta e outras temáticas relacionadas a este tema de meu TCC acabaram fazendo que eu desejasse muito cursar esta disciplina.
Sei que tenho muito a aprender se quero sempre estar “reestruturando” os meus modos de pensar, agir e escrever! Acho que humildade intelectual faz muita diferença. Vejamos... se não assumisse que sei pouco, que tenho uma INFINIDADE de saberes a serem aprendidos, rechaçados, etc., estaria correndo o risco de estagnar-me e não avançar mais. Só a um risco, e posso ser “culpada” (?) por isto: esta tentativa de dizer aos quatro ventos que tenho humildade ao dizer que “sei que [quase] nada sei”, não pode soar como uma “afirmação” (nunca geral e categórica) quase pretensiosa?
Aos dizermos algo sempre corremos o seguinte risco: as palavras podem ser constantemente ressignificadas, pois não possuem um significado único. O que dizemos, portanto, é passível de ser entendido de formas muito diversas... Cada enunciação pode, então, sugerir várias formas de ser entendido!
[Apontamentos da primeira aula com um professor epistemofílico]
Meu professor se auto-denominou assim mesmo: portador de uma “doença” chamada epistemofilia. Epistemologia=conhecimento, então já dá para saber a doença dele, né? Posso dizer que esta doença EU QUERO PEGAR! Talvez já tenho pego, porque EU QUERO, EU QUERO, EU QUERO MUITO SABER MAIS, estudar o que gosto.
Gostei desta expressão do meu professor e mais ainda do brilho do seu olhar ao dizer isto, deu pra ver que é verdade, ele tem sede de conhecimento!
Bem, passo aos apontamentos...
Conhecimento← epistemologia
↓
Ação← ética
“O ser humano não é humano”.
O ser humano TORNA-SE humano.
Pensar que o ser humano é mostra um pensamento que tenta definir, fixar e essencializar a idéia que se tem de ser humano.
Há um processo para nos tornarmos humanos. O ser humano torna-se humano pela educação. Educação aqui entendida como um processo amplo, aprendida em diferentes “lugares” sociais...
Ser humano não é estar pronto, porque nunca se está acabado, completo. Se está em constante formação.
Ser humano é processo.
Quem constrói os significados atribuídos a um sujeito particular é a sua historicidade, o seu modo de viver consigo e com os outros.
Visões do ser humano→ Várias perspectivas
Tanto a genética quanto a cultura são condicionantes e não determinantes.
Sociedade contemporânea: muito mais conformista do que resistente.
Liberdade X determinismo
↓ ↓
autonomia condicionamento
Exemplo: menino lobo não tornou-se humano porque não viveu em uma sociedade de humanos, não foi educado... tornou-se um animal (sem julgamentos de valor!) pois o seu modo de viver foi aprendido em um contexto diferente, em que outras regras e modos de sobrevivência prevalecem.
Cultura só existe para o ser humano, pois ele faz a reflexão sobre a sua “natureza”. [confesso que afirmações tão categóricas não me agradam, esta, por sua vez, parece estar colocando o homem como o centro do universo, o “velho” antropocentrismo, mas...]
Outros organismos vivos tem uma divisão social, mas não cultura do modo como a entendemos.
Diferenças: constituem as identidades de um grupo, criam as identidades→ processo civilizatório
Sociedade contemporânea: quer ser =, daí as dificuldades para a “formação” das identidades.
Linguagem (mundo de significados): especificamente humana
↓
depende da emoção e da racionalidade
Só entramos numa discussão “racional” se queremos ―então somos sobretudo desejo, vontade...
Linguagem: o mundo que possibilita os significados, através dos símbolos, imagens...
Linguagem: forma de comunicação
A invenção do além é parte do sistema civilizatório. Não há cultura que não tenha inventado um Deus. Numa determinada cultura é um símbolo, noutro é conceitual, etc.
Em diferentes épocas há diferentes manifestações culturais ―em todas elas há um processo educativo.
Hoje: cidadão quem pode consumir.
A educação só tem sentido em função da utopia.
A sociedade ocidental cria as condições para a sua própria destruição. Todos os produtos da sociedade ocidental se voltam ou podem se voltar contra ela mesma. Há muitas contradições na sociedade ocidental.
PS.: Este apontamento surgiu a partir de uma conversa com a Daisy. Ela ficou de colocar os apontamentos das disciplinas que está gostando no blog dela e eu os apontamentos no meu. Vale dizer que acho que esta é uma ótima iniciativa, pois assim trocaremos informações, lembraremos do que já foi visto, aprenderemos outras coisas e estaremos compartilhando com d+ pessoas os conhecimentos adquiridos nesta universidade pública, gratuita e de qualidade!!!
Antes mesmo de concluir meu curso de graduação (Pedagogia/UFRGS) já planejava pedir permanência no curso (há duas ênfases, Séries iniciais, que foi a que cursei e Educação infantil, que é que estou matriculada agora) para poder cursar, lentamente, as eletivas que sempre quis fazer e nunca conseguia porque já tinha várias obrigatórias para fazer que traziam consigo, conseqüentemente, trabalhos, comentários, leituras, debates, trabalhos em grupo, provas... Esta “montanha” de coisas a serem feitas e mais os envolvimentos com a bolsa de pesquisa, família, namorado, amigos, lazer, e outros projetos que acabam surgindo tornam difícil conciliar as tantas vontades criadas no decorrer do curso e as necessidades advindas de tudo que é lado...
O eixo central desta disciplina são “os diferentes enfoques sobre o ser humano” (tá na súmula da disciplina!). Me interessei porque o meu TCC (trabalho de conclusão de curso) era sobre as diferentes posições de sujeito atribuídas aos sujeitos escolares adultos e, também, as diferentes posições de sujeito que estes sujeitos se atribuem. Posições estas que são aprendidas nas diferentes instâncias sociais que veiculam, dia-a-dia, representações sobre alunos de EJA. Este era um recorte de apenas um dos muitos enfoques sobre o ser humano que poderia ser abordado. O desejo de dar prosseguimento a este trabalho, ou melhor, de ir continuamente, TRANSFORMANDO o meu modo de pensar esta e outras temáticas relacionadas a este tema de meu TCC acabaram fazendo que eu desejasse muito cursar esta disciplina.
Sei que tenho muito a aprender se quero sempre estar “reestruturando” os meus modos de pensar, agir e escrever! Acho que humildade intelectual faz muita diferença. Vejamos... se não assumisse que sei pouco, que tenho uma INFINIDADE de saberes a serem aprendidos, rechaçados, etc., estaria correndo o risco de estagnar-me e não avançar mais. Só a um risco, e posso ser “culpada” (?) por isto: esta tentativa de dizer aos quatro ventos que tenho humildade ao dizer que “sei que [quase] nada sei”, não pode soar como uma “afirmação” (nunca geral e categórica) quase pretensiosa?
Aos dizermos algo sempre corremos o seguinte risco: as palavras podem ser constantemente ressignificadas, pois não possuem um significado único. O que dizemos, portanto, é passível de ser entendido de formas muito diversas... Cada enunciação pode, então, sugerir várias formas de ser entendido!
[Apontamentos da primeira aula com um professor epistemofílico]
Meu professor se auto-denominou assim mesmo: portador de uma “doença” chamada epistemofilia. Epistemologia=conhecimento, então já dá para saber a doença dele, né? Posso dizer que esta doença EU QUERO PEGAR! Talvez já tenho pego, porque EU QUERO, EU QUERO, EU QUERO MUITO SABER MAIS, estudar o que gosto.
Gostei desta expressão do meu professor e mais ainda do brilho do seu olhar ao dizer isto, deu pra ver que é verdade, ele tem sede de conhecimento!
Bem, passo aos apontamentos...
Conhecimento← epistemologia
↓
Ação← ética
“O ser humano não é humano”.
O ser humano TORNA-SE humano.
Pensar que o ser humano é mostra um pensamento que tenta definir, fixar e essencializar a idéia que se tem de ser humano.
Há um processo para nos tornarmos humanos. O ser humano torna-se humano pela educação. Educação aqui entendida como um processo amplo, aprendida em diferentes “lugares” sociais...
Ser humano não é estar pronto, porque nunca se está acabado, completo. Se está em constante formação.
Ser humano é processo.
Quem constrói os significados atribuídos a um sujeito particular é a sua historicidade, o seu modo de viver consigo e com os outros.
Visões do ser humano→ Várias perspectivas
Tanto a genética quanto a cultura são condicionantes e não determinantes.
Sociedade contemporânea: muito mais conformista do que resistente.
Liberdade X determinismo
↓ ↓
autonomia condicionamento
Exemplo: menino lobo não tornou-se humano porque não viveu em uma sociedade de humanos, não foi educado... tornou-se um animal (sem julgamentos de valor!) pois o seu modo de viver foi aprendido em um contexto diferente, em que outras regras e modos de sobrevivência prevalecem.
Cultura só existe para o ser humano, pois ele faz a reflexão sobre a sua “natureza”. [confesso que afirmações tão categóricas não me agradam, esta, por sua vez, parece estar colocando o homem como o centro do universo, o “velho” antropocentrismo, mas...]
Outros organismos vivos tem uma divisão social, mas não cultura do modo como a entendemos.
Diferenças: constituem as identidades de um grupo, criam as identidades→ processo civilizatório
Sociedade contemporânea: quer ser =, daí as dificuldades para a “formação” das identidades.
Linguagem (mundo de significados): especificamente humana
↓
depende da emoção e da racionalidade
Só entramos numa discussão “racional” se queremos ―então somos sobretudo desejo, vontade...
Linguagem: o mundo que possibilita os significados, através dos símbolos, imagens...
Linguagem: forma de comunicação
A invenção do além é parte do sistema civilizatório. Não há cultura que não tenha inventado um Deus. Numa determinada cultura é um símbolo, noutro é conceitual, etc.
Em diferentes épocas há diferentes manifestações culturais ―em todas elas há um processo educativo.
Hoje: cidadão quem pode consumir.
A educação só tem sentido em função da utopia.
A sociedade ocidental cria as condições para a sua própria destruição. Todos os produtos da sociedade ocidental se voltam ou podem se voltar contra ela mesma. Há muitas contradições na sociedade ocidental.
PS.: Este apontamento surgiu a partir de uma conversa com a Daisy. Ela ficou de colocar os apontamentos das disciplinas que está gostando no blog dela e eu os apontamentos no meu. Vale dizer que acho que esta é uma ótima iniciativa, pois assim trocaremos informações, lembraremos do que já foi visto, aprenderemos outras coisas e estaremos compartilhando com d+ pessoas os conhecimentos adquiridos nesta universidade pública, gratuita e de qualidade!!!